Entrevista do visto americano e CASV: O que fazer em cada etapa

O processo de solicitação do visto B1/B2 para brasileiros tem duas etapas presenciais obrigatórias. Entenda o que acontece em cada uma, quais documentos levar e como se preparar para a conversa com o oficial consular.

Brasileiros que solicitam o visto de turismo americano (B1/B2) precisam comparecer pessoalmente em dois momentos distintos: primeiro ao CASV (Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto) para coleta biométrica, e depois ao consulado americano para a entrevista consular. A decisão final sobre a aprovação ou recusa do visto cabe exclusivamente ao oficial consular, durante a entrevista.

O visto B1/B2 aprovado pode ter validade de até dez anos com múltiplas entradas. A taxa de recusa para brasileiros gira em torno de 15%, e a principal causa é a incapacidade de demonstrar vínculos suficientes com o Brasil, conforme exige a Seção 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos (INA).

O que é o CASV e para que serve

O CASV é operado pela empresa CGI Federal, sob contrato com o Departamento de Estado americano, e funciona como um ponto de coleta de dados biométricos, impressões digitais dos dez dedos e fotografia digital. Sua função é estritamente procedimental: preparar o dossiê técnico do solicitante antes da entrevista consular.

O CASV não aprova nem nega vistos. Essa decisão pertence exclusivamente ao oficial consular. O atendimento no CASV dura entre dez e trinta minutos e é realizado exclusivamente por agendamento prévio, feito pelo sistema oficial em ais.usvisa-info.com.

Localizações dos CASVs no Brasil

O Brasil possui três CASVs completos e dois Centros de Entrega de Documentos (CEDs). A diferença é relevante: nas cidades com CASV completo, o solicitante agenda duas visitas separadas o CASV primeiro e, em data posterior, a entrevista no consulado. Nas cidades com CED, tudo ocorre em um único dia no próprio consulado.

Cidade Tipo Endereço
São Paulo CASV Completo Av. José Maria Whitaker, 370 – Vila Mariana
Rio de Janeiro CASV Completo Av. Almirante Silvio de Noronha, 365 – Shopping Bossa Nova Mall, Centro
Brasília CASV Completo Aeroporto Internacional JK, Espaço 2.001 (mezanino)
Porto Alegre CED (sem entrevista) Av. Assis Brasil, 1712 – Passo d'Areia
Recife CED (sem entrevista) R. Alfândega, 35 – Shopping Paço Alfândega, loja 220

O que acontece no CASV

Ao chegar no horário agendado, recomenda-se chegar quinze a trinta minutos antes, o solicitante passa por triagem de segurança semelhante à de aeroportos. Em seguida, a equipe verifica a página de confirmação do formulário DS-160, confere os dados no sistema e coleta as impressões digitais e a fotografia oficial. A foto tirada no CASV substitui a foto impressa para adultos.

Para crianças menores de 7 anos, é obrigatório levar foto impressa 5×5 cm, colorida, com fundo branco.

 

O que levar ao CASV

  • Passaporte válido (e passaportes anteriores com vistos americanos, se houver)
  • Página de confirmação do DS-160 impressa, com o código de barras iniciado em “AA”
  • Confirmação de agendamento impressa
  • Comprovante de pagamento da taxa MRV (US$ 185)

 

O que é proibido no CASV

Mochilas, bolsas grandes, laptops, tablets, fones de ouvido, smartwatches, pen drives, alimentos, bebidas, isqueiros e objetos cortantes são proibidos. Celulares podem entrar em alguns CASVs, mas devem permanecer desligados durante todo o atendimento. Não há guarda-volumes nos CASVs empresas privadas nas proximidades oferecem esse serviço.

A entrevista consular: Como funciona e como se preparar

A entrevista dura, na maioria dos casos, menos de cinco minutos. O oficial consular já revisou o perfil do solicitante e o DS-160 antes de chamá-lo  a conversa serve para confirmar informações e avaliar a credibilidade do pedido. A decisão costuma ser comunicada ao final da própria entrevista.

Dispositivos eletrônicos (celulares, smartwatches, tablets, laptops) são estritamente proibidos dentro do consulado. É necessário deixá-los em serviços particulares de guarda-volumes próximos ao consulado antes de entrar.

 

Como se vestir

Não existe código de vestimenta oficial, mas a apresentação comunica seriedade. A orientação consolidada é vestir-se como para uma entrevista de emprego formal: roupas limpas, bem passadas e adequadas ao ambiente profissional. O equilíbrio recomendado é o chamado smart casual.

  • Recomendado: camisa social ou polo, calça social ou jeans escuro, sapatos fechados. Para mulheres, blusa discreta, calça ou saia na altura do joelho.
  • Evitar: chinelos, bermudas, regatas, camisetas de time, bonés, roupas rasgadas e acessórios excessivos.
  • Observação prática: a espera pode ser longa e o consulado tem ar-condicionado intenso. Levar uma camada extra de roupa é aconselhável.

 

Como responder às perguntas

A regra fundamental é a honestidade absoluta. Mentir ou omitir informações pode gerar recusa permanente sob a Seção 212(a)(6)(C)(i) da lei de imigração americana, que trata de fraude e má representação de fatos. Além da honestidade, quatro princípios guiam boas respostas:

  • Seja breve e direto: responda exatamente o que foi perguntado, sem divagar.
  • Seja específico: em vez de “quero conhecer os EUA”, diga “pretendo passar doze dias em Orlando e Miami com minha família”.
  • Seja consistente: o oficial tem o DS-160 na tela e cruza informações em tempo real. Revise o formulário na véspera.
  • Mantenha a calma: respostas decoradas soam artificiais. Fale com naturalidade, como quem conhece bem sua própria vida.

A entrevista é conduzida em português nos consulados brasileiros. Não é necessário falar inglês para obter o visto B1/B2, embora o oficial possa alternar para o inglês se o solicitante declarou fluência no DS-160.

 

As perguntas mais frequentes na entrevista

Os oficiais consulares seguem um roteiro que cobre três pilares: o propósito da viagem, a capacidade financeira do solicitante e os vínculos com o Brasil. As perguntas abaixo são as mais recorrentes e foram mapeadas com base na documentação do Departamento de Estado e nos roteiros publicados pelos consulados.

Pilar Perguntas Frequentes
Propósito da viagem Qual o objetivo da viagem? Para quais cidades vai? Quanto tempo pretende ficar? Onde vai se hospedar? O que planeja fazer? Vai visitar alguém? Vai viajar sozinho(a)?
Situação profissional e financeira O que você faz? Onde trabalha? Qual sua renda mensal? Quem está pagando pela viagem? Há quanto tempo está na empresa atual?
Vínculos com o Brasil Você é casado(a)? Tem filhos? Com quem você mora? Possui imóvel ou outros bens? O que seus pais fazem?
Histórico de viagens e vistos Já viajou para os EUA antes? Quais países já visitou? Já teve algum visto negado? Tem parentes morando nos Estados Unidos?

É comum que o oficial repita perguntas de formas diferentes para testar a consistência das respostas, ou afirme algo incorreto sobre o perfil do solicitante para verificar se ele corrige. Isso é procedimento padrão, não sinal de desconfiança.

Documentos de apoio: O que levar e como organizar

O oficial consular não solicita documentos na maioria das entrevistas, estima-se que isso ocorra em menos de 5% dos casos. Ainda assim, a recomendação é levar tudo organizado em uma pasta e apresentar apenas quando solicitado. Não ter o documento quando pedido piora significativamente a percepção do oficial.

Categoria Documentos Recomendados
Financeiros Extratos bancários dos últimos 3 a 6 meses, Declaração de IR (última vigente), holerites dos últimos 3 meses, extratos de investimentos.
Profissionais Carteira de trabalho com registro atual ou versão digital; carta do empregador confirmando cargo, salário e tempo de empresa. Para autônomos: contrato social, CNPJ e notas fiscais.
Patrimoniais Escritura de imóvel, documento de veículo em seu nome, comprovantes de outros bens.
Familiares Certidão de casamento, certidões de nascimento dos filhos.
Acadêmicos Atestado de matrícula, diploma ou histórico escolar (para estudantes).
Histórico de viagem Passaportes anteriores com carimbos de viagens internacionais.

O Departamento de Estado orienta explicitamente que não é necessário — nem recomendado — comprar passagens aéreas ou reservar hotéis antes da aprovação do visto. Uma carta-convite de familiares nos EUA tampouco é fator determinante para a decisão.

O fator decisivo: Vínculos com o Brasil

A Seção 214(b) da INA determina que todo solicitante de visto não-imigrante é presumido como potencial imigrante. Cabe ao solicitante provar o contrário demonstrando vínculos suficientes com seu país de origem. Esta é a principal causa de recusa de vistos B1/B2 para brasileiros.

Em outras palavras: o oficial não avalia apenas se você pode ir aos EUA. Ele avalia se você tem razões concretas para voltar ao Brasil.

Tipo de Vínculo Como Comprovar Peso Relativo
Profissional Emprego com carteira assinada há mais de um ano; empresa própria com atividade comprovada. Alto
Familiar Cônjuge e filhos menores que permanecem no Brasil. Alto
Patrimonial Imóvel, veículo ou investimentos em seu nome. Médio-alto
Financeiro Renda compatível com a viagem planejada e histórico bancário estável. Médio
Acadêmico Matrícula ativa em universidade ou programa de pós-graduação. Médio

Os vínculos são avaliados em conjunto, não isoladamente. Nenhum documento sozinho garante a aprovação. O que importa é a coerência do perfil como um todo, e se a narrativa apresentada é verossímil e consistente com a realidade documentada.

Erros que levam à recusa e como evitá-los

  • Mentir ou omitir informações: o erro mais grave. O oficial tem acesso a bancos de dados e pode verificar parentes nos EUA, histórico de viagens e vistos anteriores. Omitir um irmão que mora nos EUA, por exemplo, é interpretado como tentativa de fraude.
  • Inconsistência com o DS-160: o oficial tem o formulário na tela. Qualquer divergência entre o que está escrito e o que é dito levanta suspeitas imediatas.
  • Plano de viagem vago: respostas como “quero conhecer os Estados Unidos” demonstram falta de preparo. O oficial espera saber para onde, por quanto tempo, com quem e por quê.
  • Falar demais: cada frase adicional é uma oportunidade para contradições. Responda o que foi perguntado e aguarde a próxima questão.
  • Discutir com o oficial: se a conversa tomar um rumo desfavorável, argumentar ou questionar a decisão raramente ajuda e frequentemente piora o resultado.

Se o visto for recusado sob a Seção 214(b), não há recurso formal. O solicitante pode reaplicar a qualquer momento com novo DS-160 e nova taxa de US$185. A recomendação oficial é aguardar até que as circunstâncias tenham mudado materialmente (novo emprego, compra de imóvel, casamento) antes de tentar novamente.

O que esta exigência não é

Há interpretações incorretas frequentes sobre o processo de visto. Vale esclarecer:

  • Não é uma garantia de aprovação por renda alta. Não existe renda mínima estabelecida — o que se avalia é se a renda é compatível com a viagem planejada.
  • Não é uma barreira intransponível para pessoas jovens ou solteiras. Esses perfis exigem mais atenção na apresentação dos vínculos, mas não são automaticamente recusados.
  • Não é um exame de inglês. A entrevista é conduzida em português. Fluência em inglês não é requisito para o visto B1/B2.
  • Não é um processo que exige advogado. O processo de visto de turismo é conduzido diretamente pelo solicitante perante o consulado americano, sem necessidade de representação legal.

Resumo das etapas do processo

Etapa O Que Fazer
1. Formulário DS-160 Preencher e enviar o formulário online no site ceac.state.gov. Guardar o número de confirmação iniciado em "AA".
2. Pagamento da taxa MRV Pagar US$ 185 pelo sistema de agendamento. O comprovante é necessário para o agendamento.
3. Agendamento Agendar o CASV e a entrevista consular no portal ais.usvisa-info.com.
4. Visita ao CASV Comparecer com passaporte, confirmação do DS-160 impressa e confirmação de agendamento. Coleta de biometria.
5. Entrevista consular Comparecer ao consulado SEM eletrônicos. Levar pasta com documentos de suporte, mesmo que não sejam pedidos.
6. Decisão Comunicada ao final da entrevista. Se aprovado, o passaporte é enviado pelos Correios com o visto.

Cenário atual do visto americano para brasileiros

O volume de solicitações de visto americano por brasileiros se mantém elevado, e os tempos de espera para agendamento variam conforme a cidade e a sazonalidade. Para 2026, os prazos estão entre algumas semanas e alguns meses, dependendo do posto consular escolhido.

O processo descrito neste artigo reflete as regras vigentes conforme publicadas pelo Departamento de Estado americano e pela Embaixada dos EUA no Brasil. Não há previsão de alterações estruturais no processo de solicitação do visto B1/B2 para brasileiros no curto prazo.

Fontes

U.S. Department of State, Visitor Visa (B-1/B-2), travel.state.gov/content/travel/en/us-visas/tourism-visit/visitor.html.

U.S. Embassy & Consulates in Brazil, Nonimmigrant Visas Overview, br.usembassy.gov/non-immigrant-visas-overview.

U.S. Embassy & Consulates in Brazil, Frequently Asked Questions on Nonimmigrant Visas, br.usembassy.gov/frequently-asked-questions-on-non-immigrant-visas.

U.S. Embassy & Consulates in Brazil, Important Visa Information, br.usembassy.gov/visas/important-visa-information.

U.S. Department of State Visa Appointment Service (CGI Federal), CASV — Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto, ais.usvisa-info.com/pt-br/niv/information/asc.

U.S. Department of State, Visa Denials, travel.state.gov/content/travel/en/us-visas/visa-information-resources/visa-denials.html.

Immigration and Nationality Act, Section 214(b), congress.gov.

Sobre o Autor

Comunicação Unlocked Consultoria Migratória

A Comunicação da Unlocked Consultoria Migratória é responsável pela produção e curadoria de conteúdos informativos sobre imigração, vistos, cidadania, mobilidade internacional e planejamento migratório. Nosso objetivo é traduzir temas complexos do direito migratório em informações claras, atualizadas e confiáveis, ajudando brasileiros a tomar decisões seguras sobre seus projetos internacionais. Todo o conteúdo é desenvolvido com base em fontes oficiais, legislação vigente e na experiência prática da Unlocked em processos migratórios para os Estados Unidos, Europa e outros destinos.

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